Bagre Africano, um perigo para ecossistemas do Brasil



Índice

  1. Classificação taxonômica

  2. Sobre seu nome

  3. Fisiologia

  4. Como funciona órgão acessório de respiração do Bagre - Africano

  5. Alimentação

  6. Reprodução

  7. Distribuição geográfica e habitats

  8. Como o Bagre Africano chegou ao Brasil

  9. Economia e criação

  10. Hibridação

  11. Parasitas e doenças transmitidas pelo Bagre Africano

  12. Riscos ao ecossistema

  13. O que poderia impedir a expansão do Bagre Africano pelo Brasil?.

Classificação Taxonômica:

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Classe: Actinopterygii

Ordem: Siluriformes

Família: Clariidae

Gênero: Clarias

Espécies: Clarias gariepinus Burchell , 1822

Para quem for comentar um pouco mais sobre este peixe “projetado” para viver no clima seco da África, fique livre para usar nosso fórum.

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Sobre seu nome

O nome Clarias:vem do grego, chlaros e significa animado, em por causa da capacidade do peixe de viver por um longo período fora d´água.

gariepinus: é devido ao seu local de origem, o rio Gariep, na África do Sul.

Dependendo da região onde é encontrado pode ser chamado de diferentes nomes como , Pez gato,Peixe-gato africano, peixe-gato Sharptoothed africano, Barbel, Mudfish, peixe-gato Sharptooth,Pez gato, Papo de Poisson África do Norte, Silure, peixe-gato comum, Catfish.

Fisiologia

Possui corpo alongado, mucoso, robusto e sem escamas com cabeça óssea e plana em comparação à outros siluriformes, se assemelha ao de uma enguia, sua coloração pode variar do cinza ao preto e sua barriga é branca.


Seu comprimento é de aproximadamente 1 à 1,5 m e pode passar dos 50 kg, sua boca é bem grande em relação à tamanho de seu corpo e possui 4 barbilhões usados para detectar suas presas, possuem espinhos não afiados em suas nadadeiras peitorais ao contrário do bagre de água salgada.

Graças a seu muco, espinho nas nadadeiras e um par de pseudo pulmões (compostos por arcos branquiais modificados ),ele consegue percorrer longos trajetos fora d’água.


Como funciona órgão acessório de respiração do Bagre - Africano

Uma das principais características fisiológicas que lhe possibilita sobreviver em condições extremas por certos períodos de tempo, e percorrer longos trajetos fora d'água é à sua respiração aérea acessória.

C. gariepinus possui pseudo pulmões, que são grandes órgãos respiratórios acessórios compostos por arcos branquiais modificados que lhe possibilitam respirar ar atmosférico.

Essa características lhe torna uma espécie de fácil manejo na aquicultura já que não é necessário se preocupar em manter grandes quantidades de oxigênio dissolvido em água, o que é ótimo para os piscicultores.

Apesar de ter essas adaptações que lhe permitam sobreviver em lama úmida eles não conseguem sobreviver em solo seco diferente de outros peixes pulmonados.

Alimentação

Com sua boca grande e larga ele engole suas presas inteiras, é um predador que também pode ser necrófago-onívoro se alimentando de animais mortos e plantas.

Sua dieta é bastante flexível em seu ecossistema natural se alimenta de grande variedade de itens como insetos, peixes, anfíbios, plânctons, artrópodes, moluscos, vegetais, répteis e existem relatos de que até pequenos mamíferos já foram encontrados em seus estômagos, mas quando adultos ingerem principalmente peixes e anfíbios.

São comedores de fundo que se alimentam geralmente no período noturno. Seu aspecto oportunista lhe permite capturar e pôr em risco algumas espécies como: Astyanax bimaculatus, Astyanax taeniatus, Hoplias malabaricus e Geophagus brasiliensis, estes são apenas alguns poucos exemplos de peixes que têm sérios problemas com a introdução destes predadores exóticos.

Reprodução

A maturação sexual é atingida quando ele têm o comprimento de cerca de 33 centímetros, também não apresentam dimorfismo sexual aparente.

Sua reprodução é sazonal coincidindo com o período chuvoso quando aumenta o nível da água, e ele pode ir para áreas inundadas e rasas como lagos córregos e principalmente planícies alagadas para desovar principalmente no período da noite.

Os encontros entre os machos são agressivos, quando o macho e à fêmea se encontram eles tratam de achar um local adequado para a desova. Os ovos se desenvolvem rapidamente e entre 48 à 72 horas após a fertilização os filhotes já são capazes de nadar, e os pais não se responsabilizam pelas proles.

Quando em ambiente natural na África, esses peixes nadam rio acima para desovar em épocas de chuvas em águas rasas de lagos onde os ovos ficam escondidos sob as plantas e meses depois os filhotes migram rio abaixo.

Distribuição geográfica e habitats

C. gariepinus têm seu habitat natural no continente africano, algumas regiões da Ásia, como Israel, Síria, e parte sul da Turquia. No Brasil foi introduzido para à aquicultura em 1986.

São peixes de água doce que preferem viver em águas paradas e turvas de lagos, rios, pântanos, planícies alagadas, e podem sobreviver em lama úmida.

Apesar de a maior parte destes peixes serem encontrados em águas doces, rasas e paradas, alguns poucos indivíduos desta espécie podem ser encontrados em águas salobras, águas abertas e também rios com fluxo de água rápido.

Nas cidades podem viver até em sistemas de esgotos e já foram encontrados no rio tietê em São Paulo, o que é uma prova de sua incrível adaptabilidade. É importante saber que jamais um peixe deste rio deve ser consumido devido obviamente aos seus altos riscos de contaminação por produtos químicos.

Como o Bagre Africano chegou ao Brasil?

Ele foi introduzido em diversas partes do mundo como Ásia, Europa e no Brasil na década de 90, e seu cultivo foi muito difundido na piscicultura do Estado do Paraná, porém os negócios não foram bem nesse ramo e os criadores foram incentivados a investir em pesque - pagues que foram muito mal construídos sem nenhuma barreira de contenção ao seu redor, e perto de rios o que resultou em alguns destes bagres escapando para à natureza e causando sérios prejuízos ecológicos.

E hoje já é relatado em quase todos os rios brasileiros, longe de seu bioma de origem no continente africano ele ficou sem os seus predadores naturais o que facilita sua proliferação, e prejudica o equilíbrio da cadeia alimentar local.

Economia e aquicultura

O Bagre Africano foi introduzido para criação em diversas partes do mundo como Europa, Brasil e Ásia, e tanto em seus países de origens quanto onde foi introduzido o C. gariepinus desempenha importante papel econômico na pesca artesanal e na aquicultura.

Muitas revistas de piscicultura infelizmente vem cometendo o erro de promover apenas as vantagens e benefícios da criação deste bagre sem alertar sobre os riscos potenciais que ele assim como todas as espécies exóticas oferecem ao meio ambiente.

As características que tornam o Bagre Africano ótimo para a piscicultura em diversas regiões do planeta são: se adaptam facilmente à mudanças do clima e qualidade da água, são resistentes à doenças, crescem rapidamente tudo isso somado ao fato de ser um peixe pulmonado logo os criadores não precisam se preocupar com o oxigênio dissolvido em água, todas essas características lhe tornam ótimos para à piscicultura.

No Brasil foi introduzido com fins comerciais pelos piscicultores, o cultivo dessa espécie foi mais intenso no estado do Paraná, porém não deu muito certo, e os criadores resolveram investir em pesque pagues que não foram construídos adequadamente com barreiras de contenção o que resultou em alguns destes bagres escapando para à natureza, o que causa um grande risco para as espécies nativas, infelizmente hoje ele é encontrado em muitos rios de diferentes estados brasileiros, à situação chegou à um ponto onde é quase impossível erradicá-lo dos nossos ecossistemas.

À maior dificuldade de sua comercialização é à sua aparência desagradável, e apesar de sua carne ser boa e de textura firme além de ter um bom valor nutricional com altas quantidades de proteínas, vitaminas e minerais, sua aparência física e muco liberado pela sua pele são um desafio para quem deseja vendê - lo.

Em 1999 à produção européia de C. gariepinus já ultrapassava 1900 toneladas e no Brasil o processo foi bem mais lento e só em 2005 tivemos uma produção total de 224 toneladas.

Hibridação

Ele pode cruzar com Heterobranchus longifillis e formar o Hetero-clarias, um híbrido com algumas vantagens e desvantagens em sua criação.

As vantagens são: têm carne branca que é visualmente mais agradável para os consumidores e não se reproduz o que impede de gastar energia na reprodução. Quanto a sua desvantagem ele é suscetível à estresse.

Parasitas no Bagre Africano

O Bagre Africano pode ser hospedeiro de várias espécies de parasitas que o prejudicam, na África possui uma grande fauna destes parasitas alguns deles são: Platyhelminthes Gegenbaur, 1859 e Nematoda Cobb 1919, estes filos provavelmente são contraídos de seus alimentos.

Na África do Sul eles foram analisados e descobriu-se que estavam infectados com Paracamallanus cyathopharynx no intestino, Procamallanus laeviconchus Wedl, 1862 no estômago e larvas de Contracaecum em vários de seus órgãos.

No Brasil se conhece 1050 espécies de parasitas de peixes de água doce, que em ambientes confinados os podem chegar até a matar os peixes, outro problema causado por eles é que diminuem o valor comercial do pescado, o que é ruim também para à aquicultura, além de poderem contaminar o homem pelo seu consumo pondo em risco à saúde das pessoas.

Por todos estes motivos é importante que sejam feitos estudos destes parasitas para melhora da qualidade do meio ambiente e de comunidades consumidoras destes peixes.

Riscos ao ecossistema

Estes peixes exóticos geralmente escapam no período de cheia, ou são soltos por aquaristas irresponsáveis.

Como já foi dito anteriormente o Bagre Africano foi introduzido no Brasil para fins de aquicultura porém acidentes causados por chuvas em tanques mal construídos contaminam nossos ecossistemas com estes peixes que são uma praga potencial, esse fato que ocorre em todo o mundo mudando para sempre o caminho evolutivo das espécies afetadas.

À introdução de espécies exóticas pode causar o declínio de espécies nativas e possivelmente toda à biodiversidade local é afetada.

Em seu continente de origem ele possui predadores naturais como pássaros, peixes, crocodilos entre outros porém fora de seu ecossistema natural, os predadores não evoluíram para caça-lo, logo sem seus predadores naturais se torna uma praga potencial.

É um peixe oportunista capaz de se alimentar de diversas espécies nativas, nos seus conteúdos estomacais geralmente são encontrados insetos, crustáceos,macrófitas e teleósteos, em habitats pequenos como córregos os impactos podem ser ainda mais devastadores.

Talvez nossos ciclídeos sejam o gênero de peixes que correm maior risco pois são semelhantes aos ciclídeos africanos dos quais C. gariepinus se alimenta alguns exemplos destes ciclídeos são Crenicichla spp. e Geophagus brasiliensis.

O que poderia impedir a expansão do Bagre Africano pelo Brasil?

À resposta para este problema é bastante complexa devido à grande flexibilidade de tal espécie, erradicá-lo de nossos ecossistemas talvez não seja possível no curto prazo, mas há atitudes que podem minimizar seus impactos em nossa ictiofauna.

A conscientização de pescadores e comunidades ribeirinhas sobre os perigos desta espécie e que ao capturar-las não devem ser soltos de volta na natureza, e um maior incentivo para o consumo de sua carne seria uma boa atitude neste sentido, o ibama inclusive estuda à possibilidade deliberar à pesca deste peixe, o que na prática não iria mudar muita coisa pois as pessoas já o pescam indiscriminadamente.

Leis que impeçam à importação de espécies exóticas, uma lei deste tipo já deveria existir antes da chegada desse bagre, mas quanto mais cedo ela for criada menos espécies invasoras vão contaminar nossos rios.


Alguns predadores do Brasil podem ajudar neste combate, alguns deles são:

Traíras adultas também são um possível predador para eles, e estão distribuídas por todo território brasileiro.

O candiru um peixe que perfura os bagres da amazônia e pode até entrar em pessoas.

Outro possível predador seria marobá um peixe com que também pode sobreviver longos períodos fora d'água, e é adaptado para viver em planícies alagadas. Piranhas e botos cor de rosa poderiam predá-lo,

Mas até o momento isso é apenas uma suposição, pois nenhuma ameaça à esses bagres é comprovada cientificamente.


Se você conhece alguma outra maneira de combater este peixe deixe seu comentário logo abaixo ou escreva no nosso fórum de aquarismo!


Outras espécies de peixes:


japonês ou kinguios


Betta splendens


TAINHA


Cascudo-Hypostomus pusarum


Tamboata (Callichthys callichthys)


carpa-comum, Cyprinus carpio


LAMBARI DE RABO VERMELHO


Traíra


Barrigudinho (Poecília reticulata)


Acará


Acará-bandeira – Pterophyllum scalare


Tilápia tailandesa


Tilapia aurea


Tilápia moçambicana


TILÁPIA DO NILO


Marobá também chamado de jeju.


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